A idade escolar constitui um período de crescimento com menores problemas de alimentação do que no bebê ou no pré-escolar. Um aumento natural do apetite é responsável por um aumento no consumo de alimentos. Como a criança passa grande parte de seu dia na escola, começa-se a estabelecer horários mais regulares para a alimentação. Os lanches intermediários continuam a ter grande importância e contribuem normalmente com cerca de 1/3 da energia total consumida. Nesta fase, as crianças costumam gastar muita energia em brincadeiras e esporte organizados. Muitas das preferências alimentares são estabelecidas, mas elas ainda continuarão mudando.

A maioria dos estudos em que se avalia o consumo calórico der crianças indica a ingestão do valor ideal segundo as recomendações diárias de quantidades (RDA – Recommended Dietary Alowances) de 1989. Entretanto, sabe-se que normalmente os relatos de ingestão são subestimados, e que as RDAs de 1989 são maiores do que as necessidades energéticas atuais de crianças. Isso indica que muitas crianças ingerem mais calorias do que necessitariam, excedendo também as recomendações para consumo de gorduras.
Por outro lado, grande parte da população infantil não consome frutas e outros vegetais em quantidade adequada. Um estudo com crianças latinoamericanas mostra que a média de consumo desse grupo de alimentos é de 2,8 porções ao dia, comparado ao ideal de 5 porções.

O ambiente e os fatores pessoais exercem uma influência muito importante nos hábitos alimentares. Outros fatores que não a saúde, como preferência por sabores, normas culturais e disponibilidade dos alimentos determinam o comportamento alimentar na escolha dos ingredientes das refeições. Os pais ou as pessoas que vivem com a criança exercem um impacto ainda maior na alimentação e na atividade física. O consumo de nutrientes é semelhante na família, com uma maior associação entre a criança e a mãe. Os hábitos alimentares são influenciados ainda pela união da família e o número de refeições em que todos participam. Geralmente, quando a criança tem maior preferência por alimentos gordurosos e desenvolvem atividades sedentárias, os pais apresentam problemas com o peso e com a porcentagem de gordura corporal.

A busca pela independência pode levar à resistência em ingerir alguns alimentos ou grupos alimentares, e a criança também pode se envolver em outras atividades, dando menor importância à alimentação.

É sabido que as preferências alimentares da criança são determinantes na escolha dos alimentos, ou seja, a criança não vai comer o que não gosta, mas essas preferências são adquiridas mediante o contato com os alimentos, e só serão definidas após 8 a 10 exposições a um determinado alimento. Por isso, os pais ou responsáveis devem lhe dar várias oportunidades de aprender a gostar de uma variedade de alimentos nutritivos, oferecendo-os em diversas ocasiões. Em alguns casos, basta incrementar o alimento com molhos que a criança gosta, como por exemplo um creme de queijo. Outra coisa a ter em mente é que não existe um alimento perfeito. Se a criança não gosta de comer brócolos, ela pode obter os mesmos nutrientes de outro alimento.
Como os pais são um modelo de conduta, eles devem dar um bom exemplo, consumindo uma variedade de alimentos e balanceando sua ingestão.

Segue abaixo o número de porções a serem consumidas de cada grupo alimentar pela criança de 5 a 11 anos por dia, segundo a American Dietetic Association, baseada na pirâmide alimentar e a quantidade equivalente a uma porção::

1. Grãos, cereais, massas e pães: 6 a 11 porções

– macarrão, arroz, polenta cozidos: ½ xícara
– pão de forma: 1 fatia
– pão francês, de hambúrguer ou de cachorro quente: ½ unidade
– biscoitos simples ou torrada pequena: 3 a 4 unidades
– pão de queijo: 2 unidades pequenas
– cereais matinais: ¾ xícara ou 30 g
– aveia ou farelo: 2 colheres de sopa

2. Frutas e outros vegetais

2.1. Frutas: 2 a 4 porções

– inteiras: 1 unidade média
– picadas: ½ xícara
– suco: ¾ xícara

2.2. Vegetais: 3 a 5 porções

– cozidos: ½ xícara
– crus: ½ xícara

3. Produtos lácteos e carnes, ovos e leguminosas:

3.1. Leites e produtos lácteos: 2 a 3 porções

– leite, iogurte ou coalhada (desnatados ou reduzidos em gorduras): 1 xícara
– requeijão ou queijos magros: 50 g

3.2. Carnes, ovos e leguminosas: 2 a 3 porções

– carnes de boi magra, frango, peixe: 90g ou 1 pedaço médio
– ovo: 1 unidade
– feijão, ervilha, lentilha, soja ou grão de bico cozidos: ½ xícara

4. Gorduras, óleos e doces: uso eventual

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