O volume de alimentos consumidos em uma refeição por crianças de 1 a 5 anos é pequeno pela limitada capacidade de armazenamento do estômago. Torna-se necessária, então, a administração de várias pequenas refeições ao dia, incluindo lanches intermediários.
Durante o primeiro ano de vida, os ganhos médios de peso e altura são mais de 3 vezes maiores do que no segundo ou terceiro anos. O apetite da criança diminui após o primeiro ano em função da redução da energia necessária relativa ao peso. Apesar da diminuição na taxa de crescimento, os requerimentos de proteínas, vitaminas e minerais aumentam.
O esforço da criança para ser independente mostra-se primeiramente na vontade de se alimentar sozinha. Nesta fase, a imaginação, a curiosidade e o desejo de explorar novidades atingem o auge. As preferências e aversões alimentares tornam-se proeminentes, e o alimento começa a adquirir um significado social. Por isso, os pais ou responsáveis não têm somente a obrigação de providenciar alimentos adequados para atingir os requerimentos, mas também devem estabelecer uma atmosfera agradável em relação à alimentação, para que a criança desenvolva uma relação positiva com comportamentos alimentares saudáveis.

Segue abaixo um esquema de grupos alimentares e quantidades a serem consumidos por crianças de 1 a 5 anos, segundo a American Dietetic Association:

– pães, arroz e cereais: 6 ou mais porções
– frutas e vegetais ricos em vitamina C (brócolos, aspargos, couve de bruxelas, repolho, couve-flor, pimentão, batata, tomate, inhame, amora, melão, laranja, kiwi, limão, laranja lima, papaya, framboesa, morango, melancia): 1 ou mais porções
– frutas e vegetais ricos em vitamina A (brócolos, cenoura, chicória, couve, mostarda, abóbora, espinafre, tomate, agrião, inhame, damasco, melão, mamão, nectarina, pêssego, framboesa, caqui, morango, tangerina, melancia): 1 ou mais porções
– outras frutas ou vegetais: 3 ou mais porções
– leite e derivados (iogurte, coalhada, queijos): 3 porções
– carnes, ovos ou leguminosas: 2 porções
– gorduras e óleos: 3 a 4 porções

Como há uma diferença entre a necessidade nutricional, no desenvolvimento e na capacidade de se alimentar até entre o início e o final da fase pré-escolar, o tamanho das porções varia conforme a idade, a seguir:

TAMANHO DAS PORÇÕES

GRUPO ALIMENTOS / TIPOS 1 A 3 ANOS 4 A 5 ANOS
Grãos e cereais pães ¼ a ½ fatia 1 fatia
Biscoitos 2 a 3 unidades 3 a 4 unidades
Cereais matinais integrais ¼ a 1/3 xícara ½ xícara
Cereais cozidos e Massas (arroz, trigo) ¼ a 1/3 xícara 1/3 xícara
Frutas e Vegetais
(ricos em Vit. C)
picados ou cozidos 1/3 xícara ½ xícara
Suco 1/3 xícara ½ xícara
Frutas e Vegetais
(ricos em Vit. A)
picados ou cozidos ¼ xícara ¼ a ½ xícara
Suco ¼ a 1/3 xícara ½ xícara
Outras frutas e Vegetais picados ou cozidos ¼ xícara ¼ a ½ xícara
Inteiros ¼ a ½ unidade 1/3 a ½ unidade
Sucos ¼ xícara ½ xícara
Leite e derivados ½ xícara ou 15g ¾ xícara ou 25g
Carnes, ovos ou Leguminosas carnes 1 a 2 colh. Sopa ou
30 a 60 g
4 a 5 colh. Sopa ou
60 a 90 g
Ovos 1 unidade 1 unidade
Leguminosas 1 a 3 colh. Sopa 2 a 4 colh. Sopa
Gorduras ou Oleos 1 colh. Sopa 1 colh. Sopa

Obs. As recomendações são baseadas nas Recomendações Dietéticas para Americanos e na Pirâmide Alimentar para crianças de 1 a 3 anos e 4 a 5 anos, segundo a American Dietetic Association.

RECOMENDAÇÕES GERAIS

As seguintes recomendações vão tornar a hora da refeição agradável e farão com que a criança adquira hábitos alimentares saudáveis:

– os pais ou responsáveis devem providenciar um ambiente calmo e livre de distrações durante a refeição;
– as refeições e lanches devem ser servidos em horários fixos diariamente, com intervalo suficiente para que a criança fique com fome (3 a 4 horas);
– planeje um período de descanso antes de uma refeição ou lanche; uma criança cansada ou agitada pode não se interessar pela comida;
– sente a criança à mesa, evitando que ela se alimente de pé, andando ou deitada;
– desligue a televisão; ela pode tirar a atenção da criança à comida, e contribuir para a obesidade por dar chance a lanches impróprios;
– coloque a cadeira ou cadeirão de forma que a altura da mesa se situe aproximadamente no nível do estômago da criança;
– use pratos e copos apropriados para crianças; providencie talheres com cabos largos e sólidos, e facas sem pontas ou serras;
– supervisione a criança durante as refeições. Uma criança engasgada pode não conseguir atrair atenção.

Composição das refeições:

– providencie uma grande variedade de cores, texturas, formas interessantes, e arrume os alimentos no prato de forma atrativa;
– sirva alimentos mornos e não muito quentes; umedeça alimentos crus e sirva vegetais pouco cozidos;
– ofereça os alimentos separadamente, se a criança não gosta de tudo misturado;
– providencie pequenas porções e esclareça que ela pode repetir se quiser;
– sirva carnes, vegetais, frutas e queijos em pequenas tiras ou em sanduíches que sejam fáceis de se pagar com as mãos;
– tente misturar, sem exagero, os alimentos bem aceitos com aqueles que a criança diz não gostar;
– sirva leite junto às refeições;
– limite o consumo de leite e suco de frutas nos intervalos das refeições e/ou lanches; use água para saciar a sede;
– limite doces, alimentos pegajosos e grudentos que permanecem na boca por muito tempo e podem aumentar os riscos de cárie dental;
– lanches pouco nutritivos e muito calóricos, como doces, bolos, cereais adoçados, sucos adoçados, refrigerantes, biscoitos recheados, chocolates podem ser servidos ocasionalmente, se não tomarem o lugar de alimentos de maior valor nutricional.

O requerimento de gordura na dieta muda bastante desde o nascimento até os 5 anos de idade. Com a introdução dos alimentos sólidos, a porcentagem de gordura da dieta normalmente diminui, mas é recomendado que a gordura e o colesterol não sejam restritos para bebês com menos de 2 anos de idade, pois constituem fonte energética necessária ao crescimento e desenvolvimento normais nesta fase. Depois dos 2 anos, a composição da dieta deve ser mudada gradualmente para que, aos 5 anos de idade, a quantidade de gordura represente 30% do total de calorias ingeridas, com o consumo diário total de no máximo 300 mg de colesterol e 10% de gorduras saturadas (ver capítulo Doenças – dislipidemias). Restrições excessivas de gordura podem tornar a dieta insuficiente, resultando em deficiência no crescimento.
A fibra dietética é muito benéfica para crianças, promovendo um funcionamento regular do intestino. Pode também reduzir os níveis de colesterol sangüíneo, prevenir a obesidade e diminuir o risco de doenças crônicas, como câncer, doença cardiovascular e diabetes não insulinodependente.
A fibra insolúvel é encontrada no trigo, farelos, nozes, vegetais, grãos integrais, frutas e cereais. Ela se move através do trato digestivo absorvendo mais de 15 vezes o seu peso em água. Isso auxilia no combate à constipação, alguns tipos de diarréia e sintomas de irritabilidade nos intestinos. Além disso, a pressão no trato digestivo é diminuída, reduzindo o risco de diverticulose e hemorróidas.
A fibra solúvel é encontrada na aveia, ervilhas, feijões, legumes, cevada, algumas frutas como maçã e frutas cítricas. Além dos benefícios no sistema digestivo, há comprovações científicas de que a fibra solúvel diminui os níveis de colesterol sangüíneo, o que reduz os riscos de doenças cardiovasculares. Ela aumenta a secreção biliar, o que faz com que o fígado remova colesterol da corrente sangüínea.
Recomenda-se que crianças a partir de 2 até 20 anos de idade tenham um consumo de fibras que totalize sua idade mais 5 por dia. Isso significa que uma criança de 3 anos necessita de 8g de fibras por dia, enquanto que um adolescente de 17 anos deve ingerir 22g por dia (ver texto sobre fibras – link)

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