Durante a adolescência, a alimentação balanceada é tão importante quanto na primeira infância, pois além de satisfazer as elevadas necessidade de nutrientes durante esta fase, ela serve também para criar e manter bons hábitos alimentares para o resto da vida.
Neste período podem aparecer novos hábitos de consumo explicáveis por motivos psicológicos, sociais e socio-econômicos, pela influência de amigos, rebeldia contra os controles exercidos pela família, busca de autonomia e identidade, aumento do poder de compra, hábito de preparar rotineiramente seu próprio alimento, a urbanização e o costume de comer fora de casa. Estes novos padrões alimentares podem repercutir, a longo prazo, na saúde futura do indivíduo maduro e na escolha posterior dos alimentos.

Determinantes do comportamento alimentar do adolescente:

– O adolescente geralmente se volta para a ingestão alimentar com o objetivo único de aliviar a fome. Ele não possui, muitas vezes, a percepção de que o alimento é fonte de energia e nutrientes indispensáveis ao crescimento, desenvolvimento, desempenho presente e futuro;
– Em certas ocasiões, a alimentação pode ser vista como uma forma de aliviar tensões ou mesmo de contestação da autoridade, com quebra de padrões entre os quais os hábitos alimentares da família, e com a necessidade de reger seus próprios comportamentos, que levam o adolescente a mudanças por vezes danosas;
– A necessidade de aceitação grupal é muito importante para os jovens, que consequentemente adequarão seus padrões alimentares às expectativas do grupo, deixando-se influenciar pelos modismos, práticas vegetarianas, etc.;
– Muitos adolescentes desenvolvem preocupações ligadas ao corpo e à aparência. Excessos e restrições se fazem então presentes, tendo em vista imagens idealizadas, às vezes irreais;
– O fácil acesso e incentivo da propaganda ao consumo de refeições rápidas (lanches ou produtos industrializados) podem também modificar o hábito alimentar do adolescente. A propaganda merece atenção especial quando mostra imagens de outros jovens consumindo determinados tipos de alimentos de valor nutricional questionável que podem substituir de forma inadequada determinadas refeições;

Em função de numerosas atividades exercidas pelo jovem durante o dia, resta pouco tempo para o planejamento das refeições e escolha dos alimentos. Os hábitos alimentares dos adolescentes são caracterizados por omissão freqüente de refeições, ou ingestão de alimentos inadequados, muitos lanches, dietas de moda e restrição alimentar.
Excesso no consumo de gordura, sal e colesterol também são comuns nos adolescentes. As meninas consomem em média menor quantidade de alimentos e são mais propensas a ter menor ingestão de vitaminas e minerais que os meninos. As vitaminas e minerais geralmente consumidos abaixo das necessidades são: vitamina A, E, B6, ácido fólico, cálcio, ferro e zinco. Os alimentos devem ser selecionados cuidadosamente para atingir as recomendações (ver apêndice).
Rápidos aumentos de peso relacionados ao desenvolvimento de características sexuais secundárias podem levar muitas mulheres jovens, que não adotaram uma imagem corporal madura, a restringir desnecessariamente a quantidade de comida que ingerem. Homens jovens, por outro lado, são tentados a usar suplementos nutricionais, esperando obter a aparência muscular de adulto.
Os adolescentes têm sido freqüentemente considerados como um grupo de risco nutricional em razão de seus hábitos alimentares: muitas vezes deixam de fazer o café da manhã, pulam algumas refeições e as substituem por lanches, consomem alimentos industrializados e refrescos em grande quantidade. O aumento da freqüência de excesso de peso e obesidade observado entre os adolescentes é preocupante, assim como o hábito de fazer regime para emagrecer, especialmente entre as meninas, que pode determinar níveis de ingestão inferiores ao recomendado.
Os lanches mais populares nesta idade são os produtos fritos ou com sabores intensos, doces e chocolates, produtos lácteos, frutas, sucos e pão. Quando os lanches substituem parcialmente as principais refeições é importante assegurar que sejam nutritivos, podendo contribuir para uma dieta equilibrada, desde que os demais alimentos escolhidos sejam adequados.
Para garantir a elaboração de lanches nutritivos, deve-se assegurar que cada lanche contenha pelo menos 1 porção de cada grupo de alimentos selecionados abaixo:

– Alimentos ricos em carboidratos (energéticos): pães, de preferência integrais ou ricos em fibras, bolachas simples, torradas, cereais, massas simples;
– Alimentos ricos em proteínas: leite, iogurte, coalhada, queijo, ovo, presunto magro, peito de peru, carne de boi magra, peixe ou frango;
– Alimentos reguladores (ricos em vitaminas, cereais e fibras): frutas, sucos naturais, vegetais

Deve-se também evitar as refeições freqüentes em fast foods. É importante avaliar no contexto da dieta o alto teor de gordura dos alimentos fornecidos por este tipo de serviço.

Como certos hábitos alimentares estabelecidos na infância e adolescência podem resultar em maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo doença coronária, osteoporose e alguns tipos de câncer na vida adulta, os esforços para conscientização da importância de uma dieta preventiva devem começar logo no início desta fase.
Deve-se ajudar ao adolescente a entender como evitar doenças presentes e futuras relacionadas com a nutrição, explorando sua própria independência e sua capacidade de tomar decisões e fazer escolhas certas. Muitas das responsabilidades do adolescente podem se relacionar com o bem estar nutricional. Por exemplo, a maturidade emocional permite que eles desenvolvam seu próprio sistema de valores. Com isso, eles devem ser estimulados a escolher alimentos que melhorarão seu estado de saúde ao invés de responder a características menos saudáveis dos alimentos, como pode ter ocorrido na infância.

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