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    Nutrição sob medida.

Apesar da fama de alimento proibido, o chocolate, se bem escolhido, pode trazer benefícios à saúde! Isso mesmo!  Alguns tipos de chocolates são ricos em antioxidantes, substâncias que ajudam a combater o envelhecimento precoce e facilitam a nossa circulação.  Além disso, modulam o nosso humor, trazendo aquela sensação de prazer e bem-estar.

Mas atenção, para isso é necessário que este chocolate tenha pelo menos 70% de cacau, pois é no cacau que estão essas substâncias. Para se ter uma idéia, uma porção de cerca de 30g (uma barra pequena) do chocolate com 70% de cacau tem o conteúdo de substâncias antioxidantes equivalente a uma maçã ou 1 taça de vinho tinto.

O chocolate ao leite, o branco ou mesmo o achocolatado que adicionamos ao leite no café da manhã não trazem esses benefícios. Veja o comparativo abaixo:

Produto Polifenóis (antioxidantes) totais (mcmol/g)
Cacau 224
Chocolate amargo 70% cacau 126
Chocolate ao leite 52,2
Achocolatado 8,2

Do que é feito o chocolate:
Amargo: massa de cacau (resultado da trituração das favas), manteiga de cacau, açúcar e lecitina de soja (estabilizante usado para tornar a mistura homogênea)
Ao leite: adiciona-se leite em pó à massa de cacau, à manteiga de cacau, ao açúcar e à lecitina de soja
Branco: manteiga de cacau, açúcar, lecitina de soja e leite em pó

Entenda a concentração de cacau nos diferentes tipos de chocolate:

  • Ao leite: deve ter no mínimo 25% de cacau
  • Meio amargo: deve ter de 35 a 50% de cacau
  • Amargo: deve ter de 51 a 75% de cacau
  • Extra amargo: deve ter de 76 a 90% de cacau

Se você não está acostumado ao sabor mais forte do chocolate amargo, comece degustando o meio amargo, com 50% de cacau. Quando se acostumar com o sabor, vá aos poucos aumentando o teor de cacau, para 60%, e depois para 70%. E lembre-se que a moderação é sempre a melhor escolha, quando se trata de quantidade!

Para diabéticos existe o chocolate diet, sem açúcar, mas o consumo deve ser ocasional e em pouca quantidade, pois ele tem um alto teor de gordura. 20 a 30 g, 3 vezes por semana, pode ser uma sugestão de consumo, mas cada caso deve ser olhado individualmente, por depender de condições orgânicas individuais, estágio da doença, tratamento, atividade física, sexo, idade.

Para quem tem intolerância à lactose, o ideal é observar a composição e verificar o grau de intolerância à lactose, e conversar com seu nutricionista. Algumas pessoas toleram quantidades pequenas. Os chocolates amargos têm muito pouca lactose, alguns apenas traços da substância. Outros são isentos. Outra opção é o chocolate de alfarroba, que tem um sabor semelhante ao meio amargo, ou então o chocolate de soja.

Segue abaixo uma tabela com a composição nutricional de alguns tipos:

Tipo de chocolate Calorias Carboidratos (g) Proteínas (g) Lipídeos (g)
Ao leite 540 59,8 7,2 30,3
Meio amargo 528 64 5,6 27,6
Amargo 544 52 7,6 35,2
Branco 552 60 6 32
De soja 548 56 5,2 32,9
De alfarroba 464 52 0 30,8

Você já deve ter visto nas prateleiras das casas de produtos naturais os ovos de Páscoa de alfarroba, certo? Mas o que é essa alfarroba?

 A alfarrobeira é uma árvore selvagem, nativa da costa do Mediterrâneo. A alfarroba é sua vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado, utilizada pela indústria de alimentos na produção de gomas e espessantes.

O pó ou farinha de alfarroba derivado da polpa da vagem torrada e moída é utilizado para substituir o cacau. Esse pó, contudo, possui expressiva diferença em relação ao cacau no conteúdo de açúcar e de gordura. Enquanto o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (sacarose, glicose e frutose), em torno de 38 a 45%.

A alfarroba não possui agente estimulante como a cafeína e teobromina presentes no cacau. Embora apresente um alto teor de açúcares possui um baixo conteúdo calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos (gorduras) e alta quantidade de fibras naturais. Possui ainda potencial antioxidante muito elevado, semelhante ao do azeite e superior ao do vinho.

Você acha que o chocolate vicia?

A sensação de prazer gerada pelo chocolate pode ter várias explicações.  As aminas biogênicas ajudam a modular o humor, melhorando a sensação de bem estar e felicidade

As metilxantinas, como a caféína e a teobromina, são substâncias excitatórias e estimulantes, eu agem no sitema nervoso central. O magnésio ajuda a melhorar o ânimo, pois participa da regulação  das concentrações de dopamina no cérebro. Os carboidratos contribuem para a regulação da serotonina, substância que dá sensação de bem estar.  Mas existem também substâncias presentes no cacau que são parecidas com a anandamida, e tem uma função excitatória. .

A anandamida é um neurotransmissor sintetizado pelo nosso corpo naturalmente e é chamado de “substância da felicidade”. Ela faz parte do grupo das “encefalinas”. É um analgésico natural: eles tem receptores (proteínas que tem um encaixe perfeito para a anandamida) que fluem na membrana plasmática. Quando a anandamida se encaixa nesses receptores, causa euforia, analgesia e pode causar fome.

3 compostos extremamente semelhantes à anandamida foram encontrados no chocolate amargo. Essas substâncias, por serem muito análogas em sua estrutura à anandamida, poderiam produzir os mesmos efeitos que ela. Também foram encontrados compostos no chocolate que previnem a quebra da anandamida, de modo que os efeitos eufóricos da anandamida natural são mais prolongados. Isso também pode explicar a sensação de prazer e o mecanismo da recompensa ao comer chocolates, em especial os amargos, que têm maior concentração de cacau. Mas são necessários mais estudos para podermos afirmar se o chocolate tem poder viciante.

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