O crescimento e o desenvolvimento são os melhores indicativos para se determinar a introdução de alimentos sólidos e semi-sólidos ao recém – nascido.
Em torno de 4 a 5 meses de idade, a habilidade de engolir alimentos sólidos já está estabelecida. Entre 5 e 6 meses, o bebê consegue indicar desejo por comida, abrindo a boca e inclinando-se para frente; ou pode demonstrar desinteresse ou saciedade, inclinando-se para trás ou virando-se.
Outros sinais de que o bebê já está pronto para se alimentar com sólidos são:
– o peso ao nascer dobrou;
– a criança consome 240 ml de fórmula na mamada e ainda apresenta sinais de fome em menos de 4 horas;
– a criança mama 8 ou mais vezes ao dia ou consome 960 ml ou mais de fórmula por dia.

RECOMENDAÇÕES PARA SE INTRODUZIR ALIMENTOS SÓLIDOS E OUTROS LÍQUIDOS

– Quando são introduzidos alimentos sólidos, é recomendado o uso de algum alimento rico em ferro, pois nessa fase o ferro é necessário em maior quantidade. A melhor escolha é um cereal fortificado de ferro, como o cereal de arroz, aveia ou cevada, que deve ser dado inicialmente na quantidade de 1 a 2 colheres de sopa ou menos, diluído no leite materno ou fórmula, com consistência ainda fina, com uma colher.
– O leite humano ou a fórmula industrializada deve ser mantido até os 12 meses de idade, com redução do volume e da freqüência conforme os alimentos sólidos e os outros líquidos são adicionados. O leite de vaca não é uma boa fonte de nutrientes e não deve ser utilizado antes dos 12 meses por causa da sobrecarga renal e dos problemas gastrointestinais por ele causados.
– Depois do cereal, pode-se optar por frutas ou legumes em purês, amassados ou peneirados. Deve-se primeiramente introduzir um tipo de alimento e esperar por uma semana para se detectar sinais de intolerâncias ou alergias, e para deixar que a criança adquira paladar para o alimento novo. Pode ser interessante introduzir primeiro os legumes, com o objetivo de não favorecer a preferência por alimentos doces. Sinais de intolerância aos alimentos incluem enjôos, vômito, diarréia, irritabilidade ou respiração ofegante.
– Esteja preparado para uma recusa inicial de novos sabores e texturas. Se houver recusa, tente outro alimento e reintroduza o alimento rejeitado em 1 ou 2 semanas. Continue sempre oferecendo uma grande variedade de alimentos, pois o paladar da criança muda conforme ela cresce.
– Entre os seis e oito meses, o leite humano ou a fórmula pode ser oferecido em um copo especial para crianças, com tampa e bico. Os sucos de frutas também podem ser introduzidos, no intervalo das mamadas, no copo especial.
– Também entre os seis e oito meses, o regime alimentar poderá ser ampliado, com a introdução da ricota, iogurte, gema de ovo, carne moída de boi, frango, purê de feijão ou lentilha, além de pão. Estes alimentos fornecem proteínas, vitaminas e ferro para o organismo em crescimento rápido, além de estimularem a mastigação, quando da erupção dos dentes.
– Entre oito e dez meses, a criança pode começar a receber pedaços de alimentos mastigáveis para serem pegados com os dedos, tais como pedaços de carne de frango ou peixe. Os legumes moles e cozidos, em forma de tiras, também são recomendados, com o objetivo de desenvolver a coordenação entre mãos e boca e a mastigação correta. Nesta faixa etária, a criança já deve conhecer a finalidade da colher e o uso da mesma, e é capaz de beber em um copo ou xícara.
– Entre os nove e doze meses, uma variedade de alimentos do cardápio normal pode ser introduzida, tais como: queijos, assados de fácil digestão, feijões, frutas, hortaliças, cereais e pão.
– Com um ano a criança normalmente demonstra interesse em se alimentar sozinha e se apresenta mais calma durante as refeições. Nessa idade, podem-se introduzir ovos inteiros e leite de vaca integral.
– Sempre comece a oferecer alimentos novos em pequenas porções. Mude gradualmente a textura de purês para alimentos cozidos de acordo com o desenvolvimento da criança.
– A criança mostrará se está saciada ou com fome. Nunca a force a comer até “limpar o prato” . O fato de forçar a criança a comer pode promover uma associação negativa com a alimentação, que pode durar para o resto da vida. Comer forçosamente também pode contribuir para a obesidade.
– Deve-se tomar muito cuidado para que o alimento preparado em casa, ou mesmo o industrializado não se estrague após aberto. Nunca alimente a criança diretamente com o frasco em que o alimento é guardado. A saliva em contato com o alimento a ser armazenado pode estraga-lo.
– Não se deve adicionar sal ou açúcar em alimentos preparados em casa ou industrializados. Alimentos processados ou enlatados que contêm grandes quantidades de sal ou açúcar são impróprios para crianças pequenas.
– A criança deve ser encorajada a se alimentar sozinha, seja com a colher ou com as mãos.
– Crianças que bebem líquidos adoçados, incluindo sucos de frutas ou leite em mamadeira, principalmente na hora de dormir, podem desenvolver cárie dentária. Se não for possível evitar a mamadeira antes de dormir, dê apenas água; ou então faça a criança escovar cuidadosamente os dentes depois de mamar

SUGESTÕES DE ALIMENTAÇÃO DIÁRIA PARA BEBÊS NORMAIS
SEGUNDO AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION

DOS 0 AOS 4 MESES
– leite humano ou fórmula industrializada enriquecida de ferro conforme a demanda
– não há necessidade de se oferecer água como complemento

DOS 4 A 6 MESES
– cereal fortificado com ferro (começar com cereal de arroz, aveia ou cevada): 4 a 8 colheres de sopa depois de diluído no leite (começar com menor quantidade e ir aumentando aos poucos); complementar com leite
– leite materno ou fórmula: 810 a 1170 ml diários para crianças de 4 a 5 meses; 810 a 1350 ml diários para crianças de 5 a 6 meses

DOS 6 A 8 MESES
– frutas amassadas ou peneiradas nos intervalos das mamadas e/ou refeições, mas não como sobremesas: 3 a 4 colheres de sopa
– iogurte não adoçado: 1 a 2 colheres de sopa
– vegetais amassados, peneirados ou em purês: 3 a 4 colheres de sopa
– carnes moídas ou trituradas: 1 a 2 colheres de sopa
– bolachas e torradas: pouca quantidade, para aliviar a criança no surgimento dos dentes
– cereal fortificado com ferro ou mingau enriquecido: 4 a 6 colheres de sopa
– sucos de frutas coados: 60 a 120 ml
– leite materno ou fórmula: 720 a 960 ml
– água conforme aceitação: oferecer em um copo como um líquido adicional

DOS 9 AOS 10 MESES
– cereais fortificados com ferro ou mingaus enriquecidos: 4 a 6 colheres de sopa
– sucos de frutas: 120 ml
– frutas em pedaços, tiras ou purês: 6 a 8 colheres de sopa
– vegetais bem cozidos, em pedaços, tiras ou purês: 6 a 8 colheres de sopa
– carnes de boi, frango, peixe bem cozidas, queijos, gema de ovo(em pedaços, tiras ou bem cozidos), iogurte sem açúcar: 4 a 6 colheres de sopa
– leite materno ou fórmula: 720 a 960 ml
– água conforme aceitação

DOS 11 A 12 MESES
– cereais infantis fortificados: 4 a 6 colheres de sopa
– pães, bolachas e torradas: 2 pequenas porções (cada porção equivale a 1 fatia de pão, 2 torradas pequenas ou 2 bolachas)
– sucos de frutas: 120 ml
– frutas em pedaços: 1/2 xícara
– vegetais cozidos em pequenos pedaços: 1/2 xícara
– carnes em fatias ou pedaços pequenos: 60 g ou 1/2 xícara
– batatas em purês, arroz, macarrão bem cozidos: 1/2 xícara
– leite humano ou fórmula: 720 a 900 ml
– água conforme aceitação

Obs.: As quantidades listadas são para serem consumidas durante o dia inteiro constituindo objetivos a serem atingidos gradualmente. O consumo dependerá do apetite da criança.

ALIMENTOS CONTRA-INDICADOS PARA BEBÊS

Certos alimentos podem levar a criança a se engasgar, como nozes, batata frita, frutas contendo sementes, pipoca, aipo, cenoura crua, peixe com espinhas, carne dura, doces pequenos, pegajosos ou duros. O perigo só é menor nas crianças acima de 3 anos de idade.
Os seguintes alimentos podem tomar o lugar de alimentos mais nutritivos e estimular o apetite especial pelos doces: biscoitos, doces cereais açucarados, balas, bolos, refrigerantes e sucos adoçados ou com sabor artificial de frutas. O mel e o xarope de milho também são contra-indicados, pois existe um grande índice de contaminação desses alimentos por bactérias nocivas.
Os alimentos que freqüentemente provocam alergias ou reações indesejáveis no bebê são: leite de vaca fresco e alimentos à base desse leite, ovos, trigo, trigo sarraceno, amendoim, cacau, peixe, frutas cítricas, carne de porco, tomate e frutas de bago. Para evitar a sensibilidade, convém evitar esses alimentos em crianças com predisposições a alergias.

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