Há um movimento largamente expandido na internet que mostra a anorexia com uma visão positiva, considerando-a uma escolha de vida, ao invés de um distúrbio alimentar. O número de web-sites e grupos de discussão pro-anorexia, bem como de seu “seguidores”, vem crescendo assustadoramente, apesar da tentativa de conscientização de vários profissionais de saúde.
Estes sites empregam ativamente tentativas de recrutar novos adeptos, e divulgam dicas de como se tornar ou permanecer anoréxica. Os usuários podem divulgar informações pessoais, como o peso atual e o peso almejado. Alguns ainda castigam ou ridicularizam as pessoas que decidiram procurar tratamento.
Os “membros” podem, em certas homepages, publicar sua fotos. De outra forma, retratos de pessoas extremamente magras são inseridos para servirem de modelo ou objetivo a ser atingido, enquanto que fotos de obesos representam algo a ser rejeitado e uma situação da qual fugir de todas as formas. Celebridades também ocupam espaço de destaque nessas páginas, sobretudo modelos esqueléticas e até alguns artistas adolescentes que hoje em dia estão em tratamento.
Especialistas informam que esses sites aproveitam a tendência ao “tudo ou nada” dos pacientes. Instigam seus visitantes a perseguir seus objetivos de perda de peso ao extremo.
Geralmente os transtornos alimentares são personificados, recebendo nomes próprios; Ana para anorexia; Mia ou Bella para bulimia e Ed (de eating disorder) para distúrbio alimentar. Em razão da solidão experimentada por esses indivíduos, Ana e Mia passam a ser suas melhores amigas, e Ed seu namorado. Essas adolescentes realmente os interpretam como pessoas reais, e se referem a eles constantemente, como se estivessem falando de familiares ou de amigos muito próximos, presentes em seu dia-a-dia.
A comunidade pró-anorexia é considerada por seus integrantes como uma espécie de sociedade secreta, chmada de “movimento secreto da anorexia (anorexic underground, em inglês). Outros a vêem como uma seita, doutrina, religião. Há um site que encoraja seus seguidores a fazer um juramento à Ana e assinar com sangue. Existem até doentes que rezam para Ana os ajudarem a emagrecer.
Certas adolescentes portam pulseiras coloridas que exteriorizam sua doença. O vermelho representa a anoreixia; o roxo mostra a bulimia, o verde indica o transtorno da compulsão alimentar periódica; o preto é sinal de depressão ou auto-agressão; o amarelo reflete força e esperança, e o laranja significa recuperação.
Não se sabe ao certo a amplitude de influência do movimento pró-anorexia nos casos de transtornos alimentares, mas um estudo realizado na Universidade de Stanford, EUA, detectou que 40% das adolescentes diagnosticadas com distúrbio alimentar visitaram os referidos sites.

“Eu realmente adorava ser a garota para quem todos olhavam e tinham como modelo de comportamento. Até que eu me dei conta que o que estava fazendo era ajudar outras garotas como eu a se matarem!” – depoimento de uma jovem de 17 anos que está em tratamento e que era uma ávida organizadora do movimento pró-anorexia.

Para que o tratamento seja eficaz, é necessário que os profissionais da equipe multidisciplnar se conscientizem e compreendam que, apesar de existir somente na imaginação dos pacientes, Ana, Mia e Ed são presenças reais em sua vida. E o desprezo por parte de terapeuta pode levar o paciente a interromper o tratamento. Ele não deve ignorá-los de forma alguma. Ao contrário, o paciente pode ser encorajado a escrever uma carta de despedida aos seus amigos imaginários, com a intenção de exercer controle sobre eles.
Técnicas de motivação devem ser consideradas, pois a terapia pode fracassar se o paciente não estiver disposto a ajudar a si mesmo. Por fim, a prevenção de recaídas tem que ser enfatizada para que o doente não caia novamente nesse mundo virtual pró-anorexia

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