A melhor forma de alimentação é o aleitamento materno exclusivo para os primeiros 4 a 6 meses de vida, seguido da introdução de alimentos sólidos e líquidos apropriados para a idade, com a continuação do aleitamento.

Muitos dos benefícios já conhecidos da amamentação materna são substancialmente maiores quando essa forma de alimentação é exclusiva pelo menos até o 4º mês.

A amamentação provém alimentos adequados para a manutenção da saúde, crescimento e desenvolvimento dos bebês, enquanto que ao mesmo tempo beneficia a mãe lactante. O leite humano é considerado o alimento ideal para o primeiro ano de vida, incluindo casos de bebês prematuros ou doentes, exceto em poucos casos de contaminações específicas e doenças maternas, a serem discutidos posteriormente.

As vantagens do aleitamento materno são realmente indiscutíveis e incluem benefícios nutricionais, imunológicos e fisiológicos tanto para o bebê quanto para a mãe, assim como também benefícios econômicos.

– Benefícios Psicológicos: Estabelecendo uma ligação mais íntima entre a mãe e o bebê, a amamentação satisfaz de modo mais amplo às necessidades emocionais de ambos e oferece ao bebê a maior garantia de um equilíbrio interno em uma época de importância decisiva para a formação da personalidade, como é o primeiro ano de vida. O aleitamento confere segurança emocional e estreita o vínculo e a afetividade entre mãe e filho. A composição única do leite materno, principalmente no que diz respeito às gorduras, desempenha importante função no desenvolvimento neuro-psicológico. Além disso, alguns estudos mostraram melhores resultados em testes de inteligência em crianças amamentadas ao seio. E o aumento no desenvolvimento cognitivo foi proporcional à duração do aleitamento durante a infância.

– Benefícios Nutricionais: O leite humano proporciona nutrição ótima aos bebês por sua composição adequada e o balanço apropriado de nutrientes de fácil digestão e aproveitamento. O conteúdo relativamente baixo de proteínas é adequado e tem fácil digestão, o que não sobrecarrega o sistema renal, ainda imaturo. As gorduras são de absorção fácil, graças à sua composição. O leite humano é uma ótima fonte de colesterol; isto parece ser benéfico para o prematuro que precisa de fonte externa de colesterol, bem como para todos os demais lactentes para o desenvolvimento normal dos mecanismos de controle do colesterol, que serão necessários na idade adulta. O elevado conteúdo de ácidos graxos poliinsaturados assegura o bom desenvolvimento do sistema nervosos central. Dos carboidratos do leite materno a lactose representa aproximadamente 90%. O restante é formado por glicoproteínas, que desempenham importante papel na produção de ácidos que inibem o crescimento de bactérias intestinais nocivas. Por ter quantidade relativamente baixa de sódio, é possível atingir os requerimentos de líquidos da criança com aleitamento exclusivo. Os minerais são balanceados de forma a melhorar a absorção, e proporcionam boa provisão de ferro, zinco e cálcio de acordo com as necessidades infantis, com mínima demanda das reservas maternas. Todas as vitaminas estão presentes no leite materno, mas a quantidade de vitamina D é baixa. O valor calórico do leite materno é de cerca de 68 calorias por 100 ml. Como o leite passa direto do seio para a boca do bebê, sem qualquer intermediário, ele é fornecido em temperatura apropriada e isento de germes patogênicos.

– Benefícios Imunológicos: O leite humano é único na proteção imunológica que fornece ao bebê, através de uma série de mecanismos. Essa proteção tem importância particular nas primeiras semanas de vida, quando o sistema imunológico é imaturo e a criança está mais susceptível a infecções. Componentes celulares do sistema imunológico, como linfócitos, macrófagos e monócitos estão presentes em maiores quantidades no colostro e ainda persistem em menores quantidades, mas em forma ativa, por vários meses. As imunoglobulinas desempenham um papel muito importante na proteção do trato gastrointestinal. A flora intestinal formada em resposta à composição química do leite materno garante a acidez intestinal, que dificulta o desenvolvimento de microorganismos prejudiciais. Os hormônios promovem a maturação do trato intestinal. Esses e inúmeros outros fatores no leite humano promovem proteção ativa e passiva para os bebês, principalmente recém-nascidos, contra bactérias e vírus patogênicos. Em função do balanço entre fatores nutricionais e imunológicos, a proteção máxima se dá somente em bebês com aleitamento materno exclusivo.

– Redução da Mortalidade e Doenças Infantis: O aleitamento materno está associado com reduções significativas na incidência e duração de doenças tanto gastrointestinais, como de pneumonias, bacteremias, otite média e meningite. A amamentação também está associada com uma freqüência reduzida de certas doenças crônicas em outras fases da vida, incluindo diabetes não insulinodependente, linfoma e doença de Crohn. Alergias alimentares parecem ser menos freqüentes em crianças amamentadas exclusivamente, e o aleitamento materno parece dificultar o aparecimento de dermatites, particularmente em famílias com história de alergia. Vários estudos referem ainda uma significativa redução da mortalidade infantil em crianças que recebem o leite materno.

– Benefícios Maternos: Os benefícios para a mãe que amamenta incluem: amenorréia (ausência de menstruação) de lactação, perda de peso ou gordura corporal, mais rápida involução do útero, proteção contra o câncer de mama na menopausa, e melhores taxas de glicose sangüínea em mulheres com diabetes gestacional, além dos benefícios psicológicos já mencionados. A amamentação exclusiva e mais freqüente aumenta o período de amenorréia, o que reduz o risco de gravidez e ainda conserva as reservas maternas de ferro. A amamentação também exerce uma proteção a longo prazo da densidade óssea da mãe, contribuindo para a prevenção da osteoporose.

– Benefícios Econômicos: Além de não requerer utensílios de apoio como mamadeiras e copos, e de não apresentar custo de aquisição do leite, a amamentação também apresenta economias importantes por minimizar o risco a doenças, reduzindo o número de consultas médicas, aquisição de remédios e internações hospitalares.

RECOMENDAÇÕES

A amamentação deve começar logo após o parto ou assim que possível. Exceto sob circunstâncias especiais, o recém-nascido deve permanecer no quarto com a mãe durante o período de recuperação.
O primeiro leite materno, o colostro, tem valor particular para o bebê, em função de seu alto valor de proteínas e vitaminas lipossolúveis e suas propriedades antiinfecciosas. O colostro é considerado a primeira vacina / imunização infantil. Os bebês devem ser amamentados conforme sua vontade, pois a sucção promove um aumento da prolactina, que aumenta a produção do leite. Os sinais de fome são: quando o bebê se mostra alerta, agitado, mexe constantemente com a boca. O fato de chorar já é considerado um sinal tardio de fome. No primeiro mês de vida são recomendadas 8 a 12 mamadas a cada 24 horas, com duração de 10 a 15 minutos em cada peito. Nas primeiras semanas após o parto, os bebês que dormem muito devem ser despertados se passarem 4 horas desde a última mamada. A partir do 3º ou 4º dia de vida, esses bebês devem apresentar 6 ou mais fraldas sujas a cada 24 horas, geralmente. A maioria dos recém-nascidos terá menos fraldas a serem trocadas enquanto mamarem apenas colostro.

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