Existem fases em que o interesse da criança em brincar e participar de atividades se sobrepõe à alimentação. Ela pode se recusar a ingerir algumas refeições e mostrar pouca atenção à comida.

Em primeiro lugar é necessário constatar se a criança apresenta alguma deficiência no crescimento devido à baixa ingestão alimentar. Em caso afirmativo é indicado um tratamento conjunto com o pediatra e o nutricionista.

Por outro lado, se o peso e estatura da criança forem normais em relação à idade, deve-se mudar gradativamente os hábitos, reeducando a alimentação, sem interferir muito na rotina doméstica.
Aqui vão algumas dicas para melhorar o apetite e a aceitação alimentar:

– Apresentar pratos coloridos, pois o visual do alimento é muito importante (não só para as crianças).
– Oferecer pequenos lanches entre as refeições principais, compostos por: leite, iogurte, frutas, queijos, bolachas simples e pães.
– Delimitar horários para oferecer as refeições e os lanches, não deixando o intervalo entre eles ultrapassar 3 horas, para que aumente a capacidade digestão, absorção e armazenamento dos nutrientes. Durante o intervalo, não se deve oferecer leite nem chá com açúcar, evitando também as balas.
– Se a criança “pular” um lanche ou mesmo uma refeição, não é indicado tentar compensar. Deve-se esperar a próxima refeição, pois certamente ela estará com fome.
– Fazer a criança comer em lugar tranqüilo, para que sua atenção não seja despertada para outro assunto.
– Não discutir ou dar broncas durante a refeição, para que o ato de comer não se transforme em um momento de frustrações.
– Pode-se oferecer leite após as refeições, como complemento.
Por fim, nunca se deve forçar a criança a comer. A reeducação alimentar é um processo lento que exige muita paciência e boa vontade.

Recomendações para crianças com problemas de crescimento

A deficiência de crescimento é uma condição resultante de uma alimentação deficiente, e manifesta-se na criança com peso e/ou altura abaixo do normal. No entanto, deve-se considerar nestes casos a influência genética. S os pais possuem estatura baixa, provavelmente esta criança terá menores taxas de crescimento comparadas com os valores médios.
A ingestão calórica da criança com deficiência de crescimento deve ser aumentada para normalizar o peso, a estatura e seu desenvolvimento.
O cálculo do valor calórico ideal pode ser feito das seguintes formas:
– determinar a ingestão calórica atual e acrescentar 20 a 25 calorias por kg de peso;
– determinar o valor calórico ideal segundo o peso e altura ideais para sua idade;
– determinar o ideal de valor calórico segundo seu peso atual e acrescentar 10 a 50%.

As gorduras são alimentos muito ricos em calorias e podem ser usadas para aumentar o valor energético da dieta, desde que na forma poliinsaturada e monoinsaturada para evitar problemas cardiovasculares futuros (ver capítulo Doenças Comuns na Infância)
Algumas crianças com deficiência de zinco podem ser beneficiadas com a suplementação em doses controladas para aumentar o apetite e a ingestão alimentar.

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