A sídrome do comer noturno é um distúrbio onde o indivíduo apresenta uma restrição alimentar severa durante o dia e uma hiperfagia à noite. Mais do que 50% da ingestão alimentar total diária ocorre entre 20:00 hs e 6:00 hs. Os alimentos podem ser ingeridos antes de dormir ou durante a noite, nos períodos em que acorda de seu sono.
A síndrome ocorre mais frequentemente em obesos, e mostra índices ainda maiores conforme a gravidade da obesidade. Na população geral, 1,5% é afetada; no caso de obesos o número sobe para cerca de 10%, e em obesos mórbidos chega a 27%.
Os comedores noturnos sofrem comumente de insônia, acordando cerca de 3 a 4 vezes durante a noite, e metade desses despertares se associam a um consumo alimentar, que normalmente é rico em carboidratos. Oscilações no humor, depressão e stress psicológico são observados frequentemente. Todas essas condições são explicadas por padrões neuroendócrinos diferenciados desses indivíduos:

– os baixos níveis de melatonina durante a noite estão relacionados com insônia e depressão;
– uma falha no aumento dos níveis de leptina nesse período limita a esperada supressão do apetite e pode permitir os impulsos de fome;
– os níveis elevados de cortisol suportam os achados clínicos de que a síndrome do comer noturno pode ser uma manifestação de um tipo específico de resposta ao stress.
Outros transtornos alimentares, como o transtorno da compulsão alimentar periódica e a bulimia, podem coexistir com a síndrome do comer noturno.
O tratamento com psicoterapia psicodinâmica tem demonstrado bons resultados. Os inibidores de recaptação da serotonina ajudam a neutralizar as oscilações de humor e a ansiedade, a melatonina e a leptina exógenas podem prolongar o tempo do sono e suprimir o apetite durante a noite, respectivamente.

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